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Psicoterapia

Através da psicoterapia, procuramos quebrar ciclos viciosos e criar ciclos virtuosos.


A psicoterapia é um processo mediado por um profissional qualificado que visa alcançar mudanças no indivíduo de modo a aumentar o seu bem-estar e equilíbrio psicológico. Existem várias orientações teóricas e este texto refere-se a uma orientação eclética, com acento nas abordagens comportamental cognitiva, dialética comportamental e focada nas emoções

A personalidade adulta resulta de uma complexa combinação entre fatores genéticos (hereditariedade) e experiências de socialização precoces. A aprendizagem molda a personalidade através da imitação de modelos, da associação de acontecimentos e da aquisição de conhecimentos. Além disso, ao longo do desenvolvimento, a procura de adaptação às exigências do meio, seja este o meio familiar, escolar, social ou profissional, leva a pessoa a adotar estratégias e mecanismos psicológicos que, sendo adaptativos num determinado momento da vida, podem mais tarde tornar-se fonte de dificuldades. Uma vinculação precoce mãe-bebe insegura pode gerar uma personalidade adulta marcada por traços ansiosos e fraca autoestima. Um modelo paternal de perfecionismo pode gerar uma personalidade adulta obsessiva.

Quando um adulto se debate com dificuldades na gestão das suas emoções e relações interpessoais, frequentemente não as entende como resultado destes mecanismos. Como é que um mecanismo tão precoce ou que foi tão adaptativo, pode mais tarde ser fonte de problemas? Para compreender como a história de vida pode originar padrões disfuncionais de afetividade e relacionamento interpessoal, as pessoas precisam frequentemente de um “espelho” que reflita a sua atual imagem e lhe permita também analisar retrospetivamente como ela se criou. E dificilmente este “espelho” poderá ser um familiar, um amigo ou um cônjuge, por muito boas intenções que tenha. Para “ver o seu reflexo no espelho”, as pessoas necessitam por vezes do apoio de um profissional qualificado e de um momento regular e continuado para “se verem ao espelho”. Este profissional deverá estar totalmente disponível para escutar, para atender também àquilo que se diz com o corpo, para suspender juízos de valor, para se colocar na perspetiva da pessoa e comunicar-lhe que está realmente “na sua pele”, para aprofundar e permitir à pessoa “ficar” nas suas emoções, mesmo as mais dolorosas.

Parte do problema é que frequentemente evitamos as emoções dolorosas, que ironicamente apelidamos de “negativas”. Como é que o medo pode ser negativo, se nos permite fugir ou lutar perante uma ameaça? Como é que a raiva pode ser negativa, se nos permite expressar quando estão a violar os nossos direitos? Não há emoções negativas, mas a cultura e a educação fazem muitas vezes crer que “os homens não choram” e “as meninas não se zangam”. E este é um dos aspetos da socialização que pode provocar desequilíbrios psicológicos.

O psicoterapeuta poderá ajudar a pessoa a aceitar todas as suas emoções, vivenciar mesmo aquelas que evitava e tornar-se “autor(a)” das suas emoções, em vez de se deixar dominar por elas. Porque quem não se permite entristecer, deprime. Quem não se permite ter medo, entra em pânico. Quem não se permite zangar, enfurece-se...

Através da psicoterapia, procuramos quebrar ciclos viciosos e criar ciclos virtuosos. Ao mudar a forma como a pessoa sente, ajudamos a mudar a forma como age e alteramos também as reações que pessoas à sua volta têm em relação ao seu comportamento. O que acontece é que os padrões de relacionamento da infância têm tendência a perpetuar-se e, ironicamente, muitos problemas no presente acabam por resultar dessa perpetuação. O que importa não é a forma como os pais nos trataram (ou não trataram), não é forma como as pessoas nos tratam agora, é a forma como nós, involuntariamente, contribuímos para que as pessoas nos tratem de determinada maneira, quase como se ensinássemos aos outros como nos tratar, e depois de eles o fazerem, nos queixássemos disso mesmo.

À semelhança do corpo, também a mente necessita de determinados nutrientes. E, à semelhança do corpo, também a “alimentação psicológica” saudável é completa, diversificada e equilibrada. É importante satisfazer necessidades de proximidade e pertença, bem como de autonomia e autodeterminação, de autoestima, bem como de autocrítica, de mestria, bem como de prazer, apenas para mencionar alguns destes “nutrientes”.

A psicoterapia pode ajudar a pessoa a identificar falhas na satisfação destas necessidades e a desbloquear os mecanismos que estão na origem dessas falhas, aumentando assim a capacidade para gerir de forma autónoma os desafios da vida e promovendo a aceitação da inevitabilidade de um certo grau de vulnerabilidade e conflito na vida, bem como a escolha de estilos de vida que impulsionem o seu desenvolvimento pessoal.

 

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