Identificar e Compreender a PHDA

Sintomas, prevalência e diagnóstico da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

 

A PHDA – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção - é uma perturbação neurocomportamental que engloba três sintomas principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Consoante a prevalência de cada um destes sintomas principais, podemos considerar três subtipos: predominantemente desatento, predominantemente hiperativo/impulsivo e misto, que combina desatenção e hiperatividade/impulsividade. É uma perturbação crónica, que evolui ao longo da vida, verificando-se incidências diferentes dos três sintomas principais na infância, adolescência e idade adulta.

A PHDA não tem uma etiologia específica e única. É uma perturbação com origens diversas, na qual intervém fatores de ordem biológica (p. ex. fatores genéticos) e ambiental (p. ex. fatores do contexto, do relacionamento familiar). 

Estudos recentes indicam a prevalência de uma condição neurobiológica de base que predispõe o sujeito, desde muito cedo na vida, para o desenvolvimento desta perturbação.

Para explicar a PHDA é fundamental falar das Funções Executivas. As Funções Executivas são processos neurocognitivos que promovem uma adequada resolução de problemas para a prossecução de um determinado objetivo, facilitando a tomada de decisão. De acordo com diversos autores, os sintomas da PHDA surgem devido a um défice num domínio específico das Funções Executivas, como sejam a inibição de resposta, a diminuição da memória de trabalho ou a redução do controlo executivo.

A PHDA surge frequentemente associada a outros tipos de perturbação, existindo assim comorbilidades. São exemplo, a interação da PHDA com: comportamentos de oposição e desafio; perturbações emocionais, como sejam a ansiedade e a depressão; dificuldades específicas da aprendizagem, nomeadamente, dificuldades ao nível da leitura, cálculo e coordenação motora. A PHDA também se pode relacionar com perturbações de desenvolvimento como o autismo e a perturbação bipolar.

Em termos da sua prevalência, a PHDA ocorre aproximadamente em 3% a 7 % da população infantil, com maior incidência no sexo masculino, numa proporção de 3:1. A Perturbação de PHDA persiste ao longo da adolescência em 50% a 80% dos casos clinicamente diagnosticados na infância e até à idade adulta em 30% a 50% dos casos identificados.

“A PHDA não é um problema de não saber o que se faz, mas sim de conseguir fazer o que se sabe que deve ser feito” (Barkley, 1998).

A PHDA não é uma dificuldade ao nível cognitivo mas sobretudo do comportamento, relacionando-se com o auto-controlo e a inibição do mesmo. Não interfere com a capacidade para aprender mas sim com a disponibilidade para tal.

O diagnóstico da PHDA é um diagnóstico clínico, ou seja, não existe um marcador único que explique ou identifique a existência da perturbação. Para o diagnóstico deve ser tida em conta a história de desenvolvimento do indivíduo, a avaliação dos contextos em que está inserido e descartadas dificuldades cognitivas que possam justificar a sintomatologia. Deve, ainda, procurar-se compreender o impacto real da sintomatologia e perceber o modo de funcionamento do indivíduo através de uma avaliação comportamental rigorosa.

O tratamento da PHDA inclui frequentemente o acompanhamento e informação dos pais, professores e família, treino parental e dos professores sobre técnicas de gestão do comportamento, terapia cognitivo-comportamental com o indivíduo, recursos educativos especiais e medicação específica.