Bonecos animados: dicas para refletir antes de carregar no play

 

Propomos uma reflexão sobre os bonecos animados consumidos pelos nossos filhos. Sabemos que os vão ver e não vamos dar lições de moral sobre o tempo que lhe dedicam, essas estatísticas e recomendações preenchem-nos muitas vezes os olhos, também eles presos a ecrãs. Porém, gostávamos de partilhar convosco algumas recomendações para que façam escolhas acertadas, adaptadas de um livro maravilhoso chamado “Para uma aquisição precoce e optimizada da linguagem” de Sylviane Rigolet (2006), psicolinguista. Estas são principalmente adequadas para a faixa etária dos 2 aos 3 anos, mas claro, depende principalmente do momento de desenvolvimento do vosso filho, podendo adaptar-se a outros mais crescidos. Vamos a isto:

  • A sequência dos acontecimentos deve ser evidente e o encadeamento deve fazer sentido aos mais pequenos, isto é, o conteúdo deve ser simples e linear, de modo a promover organização cognitiva.
  • O ritmo deve ser lento, para que seja compreendido. Como tal, bonecos com demasiada informação visual que correm de forma rápida pelo ecrã podem entreter, mas não serem estruturadores no que toca à capacidade de se concentrar na história.
  • Os temas devem adequar-se à faixa etária, que nesta idade se relacionam habitualmente com vivência próximas e quotidianas, tais como família, animais, cores ou alimentos.
  • Deve haver uma identificação da criança com as personagens, através das experiências quotidianas partilhadas. Não se iniba de tornar isto cada vez mais evidente para a criança, através de comentários como: “Uau! Ela também gosta de jogar à bola!” ou “Ela não pode deitar a comida para o chão, sujou tudo.”.
  • Acrescentamos, que a linguagem utilizada deve ser corretamente articulada, estimulante e sem infantilismos (por exemplo chicha ou popó).

Sabemos que o tempo livre dentro de casa quando há crianças, é um bem escasso, no entanto vá tentando estar por perto e vá fazendo comentários em relação àquilo que a criança está a ver. Pode, por exemplo:

  • elogiar comportamentos positivos;
  • repetir vocabulário novo;
  • associar expressões verbais e faciais a sentimentos que surgem na personagem;
  • recordar episódios semelhantes que decorreram convosco num passado recente;
  • ir sugerindo sinónimos com palavras mais complexas.


Em resumo, esqueçam o play no modo automático a produzir vídeos barulhentos e façam as vossas escolhas conscientes e cognitivamente estimulantes!