PEA em Idade Pré-Escolar

 

O que é que preocupa pais e os leva a procurar ajuda? Em que idade é que isto acontece?

Nos primeiros tempos de vida da criança, as PEA manifestam-se frequentemente por um atraso nas aquisições de desenvolvimento e ausência de comportamentos normais. Por exemplo, limitações nas competências comunicativas não-verbais como o contacto ocular, não quer dizer necessariamente que a criança não olhe para o outro, simplesmente pode fazê-lo de forma fugaz ou até mesmo demasiado intrusiva ou ainda, não o fazer coordenado com outras competências como o apontar para mostrar e/ou fazer pedidos.

As primeiras preocupações dos pais nem sempre se centram na presença de comportamentos mais específicos do autismo, como os comportamentos repetitivos e restritos ou estereotipias. Isto explica-se porque a maioria destas crianças apresenta alterações no desenvolvimento nos dois primeiros anos de vida, que nem sempre são identificadas pelos pais, e apenas um grupo mais reduzido apresenta um desenvolvimento normal, seguido de uma perda das capacidades de comunicação e relacionamento social entre os 12 e os 24 meses.

As primeiras queixas dos pais são, por norma:

  • a criança não ouve, por não responder ao nome
  • a ausência de linguagem oral
  • birras frequentes e difíceis de controlar.

Na prática, todas estas queixas se relacionam com a escassez de recursos comunicativos e linguísticos, se a criança não tem como comunicar as suas necessidades mais básicas, as suas escolhas e vontades, a sua reação imediata será o recurso a comportamentos desajustados e a birras, por norma, incontroláveis.

 

Que tipo de intervenção é feito nas crianças com PEA a nível da linguagem?

Diferentes formas de comunicar são adquiridas naturalmente pelas crianças: o olhar, o apontar, imitar e até o mostrar. Os bebés naturalmente aprendem a partilhar aquilo que vêm e experienciam. Assim, quando começam a falar, aplicam todas estas competências de forma integrada e espontânea. Nas PEA, estas capacidades estão seriamente comprometidas ou até mesmo ausentes, motivo pelo qual, quando estas crianças começam a comunicar não se adaptam socialmente, são disfuncionais e desadequadas.

Assim, qualquer intervenção feita por um Terapeuta da Fala nas PEA vai centrar-se na comunicação como um todo e não só ao nível da linguagem. Com o objetivo de desenvolver competências pré-comunicativas, para que quando a oralidade (ou outra forma de comunicação) surja se possa desenvolver de uma forma mais adequada e funcional. Promover, com base na iniciativa da criança, as suas capacidades de compreensão e desenvolver a sua própria forma de comunicar ajudará a criança a ser mais ativa e participativa com as pessoas e o mundo que a rodeiam.

Despertar o interesse e promover o prazer na partilha é a base de todas as competências comunicativas. Enquanto a criança não experienciar e viver o prazer e o poder da comunicação, não entender a utilidade que tem para ela, não podemos esperar que a utilize, muito menos de uma maneira adequada e funcional.

 

Quanto mais precoce for o diagnóstico e a intervenção, melhores são os resultados ou a idade não tem influência?

Sim, sem dúvida. O diagnóstico precoce permite não só o início imediato da intervenção e de todo o acompanhamento como também a intervenção dirigida e adaptada a esta patologia específica. Esta clinicamente comprovado que as crianças que iniciam intervenção em idades precoces têm melhor prognóstico quando comparadas com aquelas que iniciam a mesma intervenção em idades mais avançadas, quer ao nível das competências relacionadas com a aprendizagem quer na melhoria e funcionalidade da sua condição clínica de PEA. Por outro lado, sabe-se também que os programas de intervenção não dirigidos especialmente para as PEA são muito menos eficazes nestas crianças.

 

A linguagem está sempre comprometida com PEA ou só em algumas situações?

Sim, existe sempre um comprometimento ao nível da comunicação e da linguagem. Existe sempre uma perturbação da comunicação, um défice ao nível da intenção comunicativa, na forma como se dirige e troca informação com o outro. Na ausência de linguagem oral, são crianças que não acedem a outras formas para compensar a não existência de palavras, como gestos e expressões faciais, por exemplo. Há primeira dificuldade que surja na comunicação com outro, desistem facilmente, não mantêm a sua intenção.

Pode ou não existir um atraso ao nível do desenvolvimento da linguagem, ou seja, a criança até pode ter, em termos de competências e conteúdos, um desenvolvimento dentro do esperado para a sua idade, mas há sempre um desajuste e uma especificidade na forma como os utiliza, há por norma uma rigidez acentuada, uma utilização estereotipada e repetitiva dos recursos linguísticos. Existem ainda aqueles casos que apresentam um discurso demasiado elaborado para a sua idade cronológica e que falham depois na forma como o dirigem ou não, adequam ou não ao outro.